Certamente ser SARGENTO do exército é um desejo de milhares
de jovens pelo Brasil afora. E certamente deixá-lo de sê-lo é o maior dos que
já conseguiram o feito. Talvez o que mais afetou o exército desde os anos
2010’s, quando se trata de sargentos, foi a opinião. Agora todo mundo têm uma. E
talvez o que mais afetou os agora capazes de críticas foi saber que um advogado
só mais medo causa num comandante qualquer é quando o causídico leva o caso pra
justiça. Porque se for, vai ganhar.
Que a vida militar não é fácil pra ninguém, todo mundo sabe. Que a carreira exige sacrifícios, depois de entrar todos descobrem. Que vai ser pisoteado, esnobado e tratado como inferior pelos oficiais, alguns vão aguentar. Ou se submetem. Quem não aceita isso, sai ou vive infeliz. E também tem quem vire a chave depois que sai pelo portão das armas (após o toque, claro).
Os revolucionários, como são chamados os que não se ajoelham,
saem. Eu saí, e não hesitei em assinar o papel que efetivaria minha saída. É
costume no meio armado, incluído todos que são capazes de exercer poder coercitivo
e detêm o monopólio sobre a vida alheia desprezar os direito humanos. E não o desprezam
por faticamente concordarem, mas sim por não possuí-los. No tratamento do
exército todos são culpados até que se considere o contrário.
Se tu não és respeitado, não descobre o valor do respeito. Se
tu não vives sobre a égide da Constituição de 88, vive sobre a de outra. Pode
ser a polaca, pode ser a da “contrarrevolução democrática”. Os militares de hoje
em dia não são detentores de seus direitos tutelados pela constituição em vigor.
A caserna é um lugar de submissão, desrespeito e todo o tipo de sujeira social
aceitável da manhã de segunda-feira até a sexta ao meio dia.
Já vi, e com frequência digna de pontualidade militar, bons
soldados de Caxias serem humilhados, militares serem punidos mediante injustiça,
e principalmente, e o maior deleite para todo comandante: a punição coletiva. E
umas das verdades sobre isso é que ela funciona. Porém, desagua na evasão de
talentos. E o pior, num sentido amplo, ninguém mais é responsável por nada. É
coletivo.
Essa punição coletiva é um caldeirão no qual misturam todos
fardados e os deixam queimando pelos erros dos outros. Não estou falando de
espírito de equipe, caro leitor. Falo de algo que não deve estar na
Constituição mencionada dois parágrafos acima. Existe uma justificativa, dirão
os augustos generais e comandantes: a guerra exige. De fato ela deve exigir
muito do soldado. Provavelmente muito mais treinamento e – provavelmente - não
envolve um mictório onde a mira é a cara do subordinado.
![]() |
| Sargentômetro. Marca a contagem regressiva para a formatura. Tenho boas recordações ao rever essa foto. Também seria bom uma contagem regressiva para sair do Exército após formado. |
Talvez o único conforto que este amante da defesa de nossa terra
natal tenha é o que quando a guerra chegar, e um dia ela irá chegar, a
realidade irá se impor. Como em outras guerras, os muitos incompetentes
morrerão, alguns até levarão seus batalhões e companhias para a morte junto. E
na fila para comandar estarão os sargentos mais resilientes que aguentaram
todos essas desgraças.


Nenhum comentário:
Postar um comentário